terça-feira, 14 de abril de 2009

Good Friday

É assim que eles chamam a sexta-feira da semana santa e começo a descobrir o motivo disso. Acordo cedo e tomo um bom banho, termino de arrumar minhas coisas e não me importando com o frio que faz lá fora, visto minha bermuda, minha camiseta e claro minhas havaianas. Olho-me no espelho e por um momento pareço que estou indo viajar pra recife ou quem sabe mesmo pra PIPA.
Aqui em Christchurch na Good Friday as pessoas não podem trabalhar e as coisas básicas geralmente fecham (banco, supermercado, shopping e restaurantes), mas como sempre o turismo é o diabo a locadora de carro irá abrir e com toda certeza estará lotada, e foi com esse pensamento que cheguei lá 40 minutos antes de abrir. A locadora fica uns três quarteirões da minha nova morada então cheguei lá sem muito frio, mas ao esperar que abrisse o frio foi chegando e as pessoas também.
Quase pontualmente a moça da locadora chega e eu prontamente me apresento mostrando-a que fui o primeiro a chegar (alguns japoneses tentaram roubar meu lugar, mas eu fui sutil e enfático) e ela solicita que as outras pessoas aguardem (devia ter mais de cinco carros alugados na fila), pois cada carro demora em média uns 20 minutos (coitado do ultimo que só irá viajar daqui a mais ou menos uma hora e meia). Recebo orientações em inglês e pago o “no worries” (seguro para que caso algo aconteça eu não precise lavar prato pra pagar), assino uns papeis e forneço alguns dados, confesso que o nervosismo começou a aumentar. Seria a primeira vez que dirigiria um carro no lado “errado” e ao mesmo tempo automático. Na noite anterior dei uma lida na teoria e só me bastava colocar em prática. Chamo meus companheiros de aventura e saiu da locadora para esperar a moça trazer o tal carro.
Como sou mal educado. Preciso apresentar primeiro meus companheiros de aventura. Companheiro 1 é o Rodrigo, natural de Campinas e estuda na mesma escola que eu. Companheiro 2 é a Vânia, natural de Curitiba e estuda na mesma escola que eu. E por ultimo o Companheiro 3 é o Caio, natural de não me recordo e que conheci na agencia e tava querendo viajar.
Cinco minutos depois, chega à moça com um pequeno carro azul (vide foto). Quando eu aluguei me disseram que era tipo um “Corolla” então imaginei um carro grande, mas quando eu vi era tipo um celta. Em grande parte eu fiquei feliz, pois seria mais econômico e mais fácil de manobrar, mas também seria mais desconfortável (não pra mim que ia dirigir) e pelo preço era bobeira imaginar um carro grande já que estávamos pagando 40 dólares por dia (aluguel e seguro).

Ajeitamos as malas e partimos. Algo em torno de 500 km nos aguardava até Queenstown. Ligo o carro e dirijo com bastante cuidado. Dentro da cidade tenho mais medo, pois a quantidade de cruzamentos e carros é bem maior. Viro a rua no cruzamento para pegar as compras de comida (tínhamos comprado anteriormente para economizar) que estavam no meu flat. Entro na pista da direita e todo mundo grita e por sorte é feriado e não tem muitos carros na rua e nada acontece. Precisava reprogramar meu cérebro. Pego as coisas e ajeitamos tudo no carro com um contratempo (perdi a chave do flat que caiu no poço do elevador e eu tive que acordar a dona do prédio para pegar uma nova chave) que foi resolvido rapidamente e pegamos a estrada propriamente dita.Os primeiros 162 km até Timaru são tranqüilos e nada de novo aparece na nossa vista, apenas umas ovelhas e algumas fazendas e claro ao fundo as montanhas com alguma neve, mas que de longe não teria assim tanta graça. Chegando a Timaru decidimos dar nossa primeira parada e tentar ver a praia que estava próxima. Segue abaixo uma foto de aperitivo. Seguimos estrada sem muita demora e um tanto quanto excitados com o que poderia vir (meu desejo era conseguir ticar em neve).

Os próximos 150 km seguem com essa vista que também segue aperitivos para que vocês possam imaginar melhor.



Então encontramos o primeiro lago. A Nova Zelândia é famosa por lindo lagos, mas eu não imaginava como seria isso. Se você puder dar uma olhada em um mapa verá que são muitos e de variados tamanhos no qual é impossível ver todos. Demoramos mais de 10 minutos apreciando o Lake Waitaki e sua represa. Acho que não tinha visto (com meus próprios olhos) uma água tão azul nem mesmo com sabão em pó. O que me deixou bastante animado e pensando “ô meu deus...preciso mostrar isso pra Jeicy”, filha você adoraria tirar fotinhas nesse lake comigo, mas vamos parar de sonhar acordado e seguir em frente pois tudo que é lindo pela frente ainda me fará pensar em você. Claro que eu não ia fazer essa maldade com vocês e é claro que segue um aperitivo abaixo.




Poucos km a frente, chegamos ao Lake Aviemore, esse bem maior que o Waitaki e com uma represa bem maior. Nesse pude chegar a um dos berços e molhar meus pés (pense em uma água gelada). E ao dirigir por perto dele encontrei um lugar com um berço dele e bom para parar o carro e fazermos nossa primeira refeiçãozinha (sanduba e coca) e como eu não podia deixar de tentar, tomei um banho pra lavar a alma nessa água transparente e gelada.





Lugar do banho e do lanche.

Demos continuidade à viagem e as montanhas começavam a se aproximar, a sensação de que talvez fossem nos ver neve de perto contagiava as pessoas e principalmente a minha pessoa que nasceu e se criou no RN.
Alguns pontos legais no quesito dirigir pelas estradas da Nova Zelândia é que: todas as estradas são bem sinalizadas; o limite de velocidade é 100 e em algumas cidades quando você passa por elas isso cai para 50 ou 80; não existe tantos carros e engarrafamento ainda; perto das grandes cidades as rodovias possuem vários pontos de ultrapassagem; de vez em quando você encontra uns lugares chamados de “driver reviver” onde eles fornecem café, chá, água e um lugar pra relaxar por alguns minutos e tudo isso é grátis.
Algum tempo depois eis que surge nossa grande grata surpresa nesse dia bonito e ensolarado. Surge no meio do nada uma montanha ao nosso lado com neve bem de perto. Paro o carro como um louco e corro em direção da neve. A foto minha com cara de criança pegando na neve eu ainda não recebi do caio, mas segue as fotos da montanha e da neve. Não consigo descrever a sensação de então ver neve e poder tocar. Só sei que não estou satisfeito ainda e meu desejo é deitar na neve, ver a neve caindo do céu e poder brincar com a neve. O inverno está vindo e com ele quem sabe realize tudo isso por completo. Filha, você já viveu essa sensação e sabe como eu me sinto (queria tanto poder ver neve ao seu lado, você deve fazer umas caras de bobocas que vala me deuso).




A viagem continua e a todo tempo passávamos (parando ou não) em rios e lagos de dimensão menor, mas com uma beleza sem igual. Passamos por vários vinhedos e varias fazendas de ovelhas. E ao final do entardecer chegamos a Queenstown. Uma cidade muito bonita, margeada pelo Lake Hayes (um grande lake) e com astral de folia. Fomos direto para o Hostel (28 dólares por noite) que era de frente para o lake. Fizemos nosso check-in, nos acomodamos em nossas respectivas beliches (umas oito pessoas por quarto o que gera uma sinfonia de ronco), chequei o banheiro por via das duvidas, e fomos conhecer a cidade. Como era feriado, a maioria das lojas estavam fechadas, mas uma coisa é certa, se você não vai gastar dinheiro fazendo todas as mil coisas de aventura (Paraglide $200, Bung jump $165 a $400 (em suas mil variações), Ski diver $200, Jet boating $170, Cruzeiro, Gondola $22, Rafting $100) não tem muita coisa o que fazer por lá. A maioria das lojas é de empresas tentando vender esses passeios, ou vendendo souveniers ou restaurantes ou bares e night clubs. Uma coisa é certa é o canto mais caro da ilha sul e o apelo turístico é muito forte mas é um lindo lugar para passar um ou dois dias. Fiquei com uma leve vontade de fazer Bung Jump, acho que se fosse barato eu até arriscaria meus nervos. O que eu tenho vontade mesmo é de fazer Ski Diver (acho que é quase a mesma coisa de paraglide só que é bem melhor) e se eu tiver dinheiro pretendo fazer na Ilha Norte, pois lá é pouca coisa mais barata. Outra coisa que eu tenho vontade é de fazer o Rafting, mas o da Ilha Norte também é melhor pelo que as pessoas contam. Jet Boating é caro e rápido acho que não é tão legal. A gôndola eu fiz, mas hoje estamos só falando de Good Friday então fica pra depois.
Voltamos pra o hostel e fizemos um salsichão para o jantar e depois fomos dormir. Eu estava realmente cansado e teria que decidir se amanhã cedo eu iria para Milford Sound como tinha planejado anteriormente.
Ps. Pascoa me faz lembrar o quanto é bom estar ao seu lado Filha, fotos me fazem lembrar das nossas fotos na praia, praia me faz querer voltar pra perto de você. Te Amo hoje e sempre.

4 comentários:

Unknown disse...

Muito legal o seu relato. Continue com ele que estou super curiosa pra ver mais fotos. Beijão.

Unknown disse...

Vitoca, fiquei imaginando num frio daquele, vc num lago mega gelado, como ficou o pequeno vitoquinha, deve ter lhe dado um susto e tanto sem vc poder encontrá-lo...
No quesito neve, diga a verdade, vc pediu uma caipirinha forzen e colocou na mão para nos enganar...
No restante, bacanas as fotos, os locais cada um mais bonito que os outros, as declarações à Jeicy cada dia mais piegas, mas tá valendo a pena acompanhar sua aventura.

Grande abraço,

P.S: Dia a verdade, num foi por dinheiro que vc não fez nenhuma daquelas mil aventuras, vc ficou com medo de virar um sorvete no frio...

Vitor Nishimura disse...

Homi num frio daqueles ele vira lombriga e entra pra dentro do corpo...hauhauha a neve é massa e num tem esse tipo de bebida aqui não...hehehe aqui é cerveja e natural...hauhauha respeite minhas declarações...e rapaz...falta dinheiro sim pq ainda quero fazer uma outra mega viagem...que vai me custar muitoooooooo e tenho que pagar as coisas aqui...mas claro que eu viraria um sorvete...fora que a pessoa tem q pagar as fotos que são caras pra poder os amigos acreditarem em vc....hauhauhuaa

André Solino disse...

"vala me deuso!!!" Que Vitoquinha apaixonado!!!
Show de bola a viagem, curte bastante por ai meu amigo, e se der vai nesses passeios radicais.
Abracoo